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Entre os elementos que possibilitam o êxito de uma proposta pedagógica está a definição do seu quadro referencial teórico, que deve ter como objetivo a explicitação dos principais conceitos, tomados como meio para as ações e intervenções no processo ensino-aprendizagem e fornecer as linhas gerais da estrutura do projeto.

Do ponto de vista das teorias pedagógicas, esse projeto é marcadamente polifônico, no sentido de que ele abarca as contribuições de várias correntes pedagógicas. Essas teorias são a pedagogia histórico-crítica, o construtivismo e o recente movimento da ecopedagogia, sem deixar de lado um pensar a educação do futuro sob o prisma das categorias abaixo destacadas:
 

a) Cidadania. Nessa categoria, o foco da discussão está voltado para a exclusão social e para o envolvimento do processo educativo na construção de uma cidadania ativa e plena, que visa à conquista e construção de novos direitos, bem como de novos espaços de exercício.

b) Planetariedade. Pensar a Terra como um novo paradigma, buscando um modelo de desenvolvimento comprometido com a preservação da vida no planeta, não apenas no sentido dos cuidados com a natureza (ecologia natural), mas de arquitetar um novo modelo de civilização sustentável do ponto de vista ecológico (ecologia integral).

c) Globalização. O fenômeno da globalização tem atingido a política, a economia, a história, a cultura e, também, a educação. Pensar e discutir a questão da globalização abre espaço para o debate sobre os seus efeitos: o desemprego; o aprofundamento das diferenças entre países ricos (globalizadores) e países pobres (globalizados); perda de poder e autonomia dos países que sofrem a globalização.

d)Transdisciplinaridade. Ao lado de termos como transversalidade, multiculturalidade, transculturalidade, essa categoria tem aparecido, com freqüência, nas discussões sobre as novas tendências da educação. É preciso construir um projeto pedagógico interdisciplinar, relacionando multiculturalidade e currículo.

e) Dialogicidade, dialeticidade. Não se pode negar a atualidade de certas categorias freireanas e marxistas, a validade de uma pedagogia dialógica ou da práxis. A educação para o próximo milênio continuará incorporando esses dois paradigmas como base de uma proposta pedagógica democrática.
 

f) Virtualidade. A discussão dessa categoria pressupõe o debate em torno da virtualidade como uma dimensão do mundo pós-moderno e suas conseqüências, particularmente, para a educação, no que diz respeito à utilização dos computadores e da Internet, bem como a sua influência na aprendizagem e no trabalho do professor.


Aliada às categorias enunciadas acima e compondo o quadro referencial teórico que sustenta essa proposta pedagógica, está a pedagogia histórico-crítica. Historicamente, ela se situa no contexto dos debates travados nos anos 80, quando o marxismo era a tônica das discussões teóricas, no âmbito das várias ciências, e a educação não escapou de sua forte influência. Segundo Dermeval Savianni, a expressão pedagogia histórico-crítica pode ser traduzida... 


"pelo empenho em compreender a questão educacional a partir do desenvolvimento histórico objetivo. (...) o que não é garantido pela natureza tem que ser produzido historicamente pelos homens; e ai se incluem os próprios homens. Podemos, pois, dizer que a natureza humana não é dada ao homem, mas é por ele produzida sobre a base da natureza bio-física. Conseqüentemente, o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens".


Recorrendo às objeções e dicotomias levantadas pelos críticos da Pedagogia Histórico-Crítica e contestada pelo seu formulador, Dermeval Saviani, melhor se pode estabelecer seus pontos mais fundamentais, vistos como elementos que a identificam e a distinguem de outras correntes pedagógicas.
 

• Forma e conteúdo: a ideia de que a pedagogia histórico-crítica dá demasiada ênfase aos conteúdos, colocando em segundo plano as formas, os processos e os métodos pedagógicos, é falsa. Diferentemente do cientista, que vê o saber como um fim, o professor vê o saber como um meio para o crescimento do aluno e as formas, os métodos, os processos só têm sentido se possibilitam seu acesso ao conhecimento. Isto significa dizer que o método é essencial na condução do aluno ao saber elaborado e sistematizado que a escola deve transmitir.

• Socialização versus produção do saber: o fato de a pedagogia histórico-crítica defender a socialização do saber elaborado tem sido tomado, equivocadamente, como uma volta a posição tradicional, de origem durkheimiana, de que a função da escola é socializar. A então proposta de socialização do saber sistematizado, pela escola, apoia-se na concepção dialética da história e na crítica marxista à sociedade capitalista. Segundo Saviani:
 

"o saber produzido socialmente é uma força produtiva, é um meio de produção. Na sociedade capitalista, a tendência é torná-lo propriedade exclusiva da classe dominante. Não se pode levar essa tendência às últimas conseqüências porque isso entraria em contradição com os interesses do capital. Assim, a classe dominante providencia para que o trabalhador adquira algum tipo de saber, sem o que ele não poderia produzir; se o trabalhador possui algum tipo de saber, ele é dono da força produtiva e no capitalismo os meios de produção são propriedade privada! Então, a história da escola no capitalismo traz consigo essa contradição".

No tocante à produção do saber, é preciso distingui-la da elaboração do saber. A primeira tem um caráter social e se dá no interior das relações sociais, enquanto a segunda implica expressar de forma elaborada o saber que surge da prática social. Se a escola não possibilitar o acesso aos instrumentos para elaboração desse saber, os trabalhadores continuariam a contribuir para a produção do saber e estariam impedidos de ascender ao nível da elaboração do saber.


Saber versus consciência: a ideia de que a pedagogia histórico-crítica estabelece uma primazia à aquisição de conhecimentos em detrimento de uma consciência crítica é falsa. Não é possível ter acesso ao saber de forma inconsciente, como, também, é possível desenvolver a consciência à margem do saber.

Saber acabado versus saber em processo: entre as críticas feitas à pedagogia histórico-crítica está a de que ela tem uma visão do saber como algo definitivo e acabado, tratando-se apenas de transmiti-lo. Nada mais falacioso. Para a pedagogia histórico-crítica, a produção do saber é histórica, portanto não é obra de cada geração independente das demais. O problema da pedagogia é justamente permitir que as novas gerações se apropriem, sem necessidade de refazer o processo, do patrimônio da humanidade, isto é, daqueles elementos que a humanidade já produziu e elaborou.

Saber erudito versus saber popular ou ponto de partida versus ponto de chegada: essa dicotomia pressupõe entender o saber erudito como o saber da dominação e o saber popular como o saber autêntico, próprio da libertação. Isto se constitui numa concepção equivocada do que seja cultura erudita e cultura popular:

Nem o saber erudito é puramente burguês, dominante, nem a cultura popular é puramente popular. A cultura popular incorpora elementos da ideologia da cultura dominante que, ao se converterem senso comum, penetram nas massas.(...) A cultura popular, do ponto de vista da escola, é da maior importância enquanto ponto de partida. Não é, porém, a cultura popular que vai definir o ponto de chegada do trabalho pedagógico nas escolas. Se as escolas se limitarem a reiterar a cultura popular, qual será sua função?

Dentro da pedagogia histórico-crítica, a competência técnica, ou seja, o saber fazer do professor e o seu compromisso político assumem papel de destaque. A competência técnica não subordina o compromisso político nem o precede. Ela é enunciada como uma categoria mediadora, isto é, ela está no meio do compromisso político, possibilitando-o e realizando-o: a competência técnica é, pois, necessária, embora não suficiente para efetivar na prática o compromisso político assumido teoricamente.

Se da pedagogia histórico-crítica foram retiradas às bases políticas e filosóficas desta proposta, do construtivismo e de suas várias leituras, buscaram-se os fundamentos para a concepção de conhecimento, para o conceito de aprendizagem, de avaliação e a noção de interdisciplinaridade, como elementos de apoio para as relações pedagógicas que se desenrolam na sala de aula.

A opção por essa base epistemológica significa uma tendência a fugir cada vez mais do paradigma da pedagogia tradicional, baseada no empirismo e nas suas práticas.

Como movimento pedagógico, tem um caráter social e político e se traduz por uma pedagogia para o desenvolvimento sustentável. Dentro dessa perspectiva, a ecopedagogia nasceu no seio da sociedade civil e decorre de sua aceitação de uma parcela da responsabilidade diante da degradação do meio ambiente e de sua percepção de que é preciso uma ação efetiva para combatê-la.

Enquanto abordagem curricular, a ecopedagogia propõe que os currículos incorporem certos princípios por ela defendidos, no sentido de que eles sejam orientados não só para conteúdos significativos para o aluno, mas também, para a saúde do planeta; não se concentre na memorização dos conteúdos clássicos, mas reconheça nas formas de relações, nas vivências, nas concepções filosóficas e éticas, também, conteúdos.

A opção por inserir a ecopedagogia como embasamento teórico e prático da proposta curricular do Colégio Oficina, à primeira vista, pode parecer apenas o acolhimento de uma tendência contemporânea da educação para as próximas décadas, entretanto, se constitui em uma posição político-ideológica, que percebe a questão ambiental como o problema de maior alcance global e que o seu equacionamento poderá significar o exercício de uma solidariedade global. Acrescente-se a isso o ponto de vista de Boaventura Santos a respeito da degradação ambiental: por absurdo que pareça, depois do colapso do comunismo, a capacidade de poluição é talvez a única ameaça credível com que os países do Sul podem confrontar os países do Norte e extrair deles algumas concessões.

Objetivos do Projeto Político Pedagógico

• Assegurar aos alunos uma educação básica de qualidade, através do diálogo, da troca informações e saberes e na construção de conhecimentos historicamente acumulados pela humanidade.    

• Garantir a formação geral do aluno, através de ações teóricas e práticas, transdisciplinares, democráticas e inclusivas, visando à continuidade de estudos e/ ou ingresso em Instituições de Ensino Superior.

• Promover a convivência harmônica entre alunos e pessoas com necessidades especiais, considerando às diversidades (de cultura, de raça, de religião, de gênero) num ambiente de paz e de respeito pelas diferenças e preferências.

• Adotar metodologias de ensino diversificadas e ativas que estimulem o exercício do raciocínio, a experimentação, a resolução de problemas, tendo em vista a formação do cidadão crítico, criativo e agente de transformação.

• Valorizar a cultura afro-brasileira, as diferentes linguagens e manifestações populares e artísticas, visando à articulação entre a teoria e a prática e ao desenvolvimento de competências significativas e duradouras.

• Disponibilizar aos alunos novos espaços e projetos de aprendizagens que promovem autoestima, a convivência harmônica com as diversidades (de cultura, de gênero...), tendo em vista a melhoria do atendimento e o exercício da cidadania planetária.

• Implantar projetos interdisciplinares/ ações de intervenção na realidade social, a partir de parcerias com ONG, em projetos de solidariedade e conscientização política.

• Realizar eventos/ cursos de atualização profissional para funcionários/ professores, visando ao aprimoramento de suas práticas de trabalho.

• Promover campanhas de marketing, novas estratégias financeiras e de ensino, visando à ampliação dos serviços e da matrícula de alunos.

• Monitorar, através de instrumentos, entrevistas e registro de observações, o impacto, resultados das ações gerenciais e curriculares, tendo em vista a retroalimentação do planejamento/ execução e a avaliação do Projeto Político Pedagógico.


Valores
 

Para consecução desses objetivos, concebidos à base do exercício da cidadania, pretende-se reforçar atividades, atitudes de construção de valores como: saúde/ higiene pessoal, social e planetária, justiça e equidade, solidariedade, cooperação, respeito mútuo e respeito aos direitos humanos e ao desenvolvimento sustentável.

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