Conesco

CADERNO DE MEMÓRIA 19ª CONESCO (2015)

CONESCO

CONGRESSO DE ESTUDANTES DO COLÉGIO OFICINA

O CONESCO foi criado em 1997 e tem acontecido no segundo semestre do ano letivo, com a participação de todos os alunos da escola e, como o próprio nome diz, é um congresso, planejado e organizado pelos estudantes, sob a orientação dos professores e do corpo técnico-pedagógico. Parte-se da eleição de um tema que é discutido nas suas interfaces, por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, através de mesas-redondas e sob diferentes olhares.

Tema do ano de 2015 do conesco colegio oficina.

CULTURA(S) POPULAR(ES) BRASILEIRA(S): O DESAFIO DA DESCOBERTA  E A PRODUÇÃO DE NOSSA(S) IDENTIDADE(S)

                                                                                                                                                                                                                                  Marcelo Faria

Na introdução de seu livro A conquista da América: a questão do Outro Tzvetan Todorov apresenta o desafio, ou quase a impossibilidade de se compreender o outro. Diz ele:

Quero falar da descoberta que o eu faz do outro. O assunto é imenso. Mal acabamos de formulá-lo em linhas gerais e já o vemos subdividir-se em categorias e direções múltiplas, infinitas. Podem-se descobrir os outros em si mesmo, e perceber que não se é uma substância homogênea e radicalmente diferente de tudo que não é si mesmo; eu é um outro. Mas cada um dos outros é um eu também, sujeito como eu. Somente eu, ponto de vista segundo o qual todos estão lá e eu estou só aqui, pode realmente separá-los e distingui-los de mim. Posso conceber os outros como uma abstração, como uma instância da configuração psíquica de todo indivíduo, como o Outro, outro ou outrem em relação a mim. Ou então como um grupo social concreto qual nós não pertencemos. Este grupo, por sua vez pode estar contido em uma sociedade: as mulheres para os homens, os ricos para os pobres, os loucos para os “normais”. (TODOROV, 1999)

Essa passagem, apesar de longa, é de fundamental importância para nossa missão no ano de 2015 que é compreender aspectos da cultura popular brasileira, isto é, manifestações de um povo complexo, forjado a partir do século XVI na confluência de três grandes matrizes sociais: os índios, os negros e os europeus que se misturaram para dar origem a um povo único, mas com imensa diversidade cultural em sua composição.

A “CULTURA POPULAR” – tema de 2015 – é muitas vezes confundida com TRADIÇÕES ou, mesmo, com o FOLCLORE de uma sociedade, o que nos obriga a uma primeira diferenciação.

O termo “cultura popular” é mais recente do que muita gente pode imaginar. Ele remonta ao século XIX, e foi cunhado para diferenciar a cultura das elites, erudita – normalmente compreendida como superior – e as manifestações sociais das classes menos favorecidas, consideradas como manifestações menos importantes, mais simples, inferiores... Aqui podemos ver que, desde o princípio, a questão do outro se coloca como um desafio para nós.

O reconhecimento do outro não é uma questão simples, mas um grande desafio. Para Antônio Machado, o outro não existe: esta é a fé racional, a crença incurável da razão humana. Identidade = realidade, como se, afinal de contas, tudo tivesse de ser, absoluta e necessariamente, um e o mesmo. Mas o outro não se deixa eliminar; subsiste, persiste; é o osso duro de roer onde a razão perde os dentes. Abel Martin, com fé poética, não menos humana que a fé racional, acreditava no outro, na “essencial heterogeneidade do ser”, como se disséssemos na incurável outridade que o um padece”. (Antônio Machado)

O século XX consolidou a globalização do espaço mundial e, junto a esse processo, o questionamento da centralidade da cultura burguesa, europeia, como referência universal de cultura – concebida como civilizada ou civilizatória – e a afirmação das culturas periféricas como portadoras de conjuntos alternativos de valores, crenças, hábitos e costumes, expressões de experiências sociais (individuais e coletivas), distintas da proposição dominante. Fenômeno análogo se processa no interior de cada sociedade, na qual se questionam os valores dos grupos dominantes como superiores e/ou portadores de valor universal.

Assim, em meio a esses debates, tomou forma a ideia de que a cultura de uma sociedade não pode ser vista no singular, com referenciais universais validados em todos os tempos e espaços sociais de forma homogênea. Pelo contrário, o que se compreende hoje é que a(s) cultura(s) de uma sociedade é um mosaico de possibilidades expressivas, bastante complexas, que se manifestam na e pela experiência dos diferentes grupos sociais em seus cotidianos, que criam e recriam significados e sentidos para organizar suas vidas e manifestar seus valores.

Para Antônio Nóbrega, a cultura popular deve ser compreendida como conjunto dos modos de ser, viver, pensar e falar que se traduz por um sistema de crenças, representações simbólicas, valores, visões de mundo, procedimentos socioeconômicos constituídos pelo estrato social marginal, periférico, não hegemônico e pobre da sociedade. (NÓBREGA, 2011)

Conhecer a cultura popular brasileira (em sua pluralidade) é uma missão bastante complexa, mas deslumbrante, sobretudo se tomarmos como referência a proposição de Todorov de que há um pouco do outro em cada um dos indivíduos que partilham do nosso mundo e que, ao me aproximar desses outros, ao tentar compreendê-los, eu amplio meu repertório, me desloco na minha trilha identitária, me descubro no movimento que compõe aquilo que sou. Eu no mundo com os outros construo meus referenciais, desafio os limites e fronteiras, e me constituo como ser.

 Assim, investir no contato com aspectos da(s) cultura(s) popular(es) do Brasil é procurar me aproximar do(s) outro(s) que comigo produzem o mundo no qual nos inserimos, e a partir do qual, por minha(s) experiência(s), vou produzindo sentidos para minha existência e para o mundo que me cerca.

Como nos ensina Mircea Eliade, O mundo é sempre o <<nosso mundo>> o mundo em que se vive. E, embora o modo de existência humana seja o mesmo entre os Australianos e os Ocidentais contemporâneos, os contextos culturais que envolvem a existência humana variam bastante. (ELIADE, 1982)

Essa variação é não apenas um fenômeno espacial ou temporal, mas é também produto da diversidade de experiências dos diferentes grupos em uma mesma sociedade. Quanto maior a minha compreensão do outro, mais amplas as minhas possibilidades de entendimento da realidade complexa que me cerca e, por extensão, a minha capacidade de negociar sentidos para a vida em comum.

Desvendar a cultura popular em tempo de globalização não se reduz a buscar as raízes de nossa formação enquanto povo, que remete à uma posição essencialista com relação ao tema, mas se colocar em movimento na trama de referências que atuam sobre os diversos grupos sociais que formam uma cultura popular híbrida e complexa. Para Nestor G. Canclini, a hibridização são processos socioculturais nas quais estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas (CANCLINI, 2011).

REPRESENTANTES

POR SALA

  • 6º ANO

    A

    • Henrique Velloso
    • Bruna Motta

    B

    • Safira Maria Teixeira
    • Amanda Matos

    C

    • Elisa da Silva
    • Clara de Araújo

    D

    • Lucas Xavier
    • Helena Gabriela dos Santos
  • 7º ANO

    A

    B

    • Maria Eduarda Bittencourt
    • Carolina Alves
    • Laura Maria de M. e Souza
    • Larissa Ribeiro
  • 8º ANO

    A

    B

    • Marina do Lago Oliveira
    • Lia Costa de Oliveira
    • Caio Chaves de Oliveira
    • Catarina Oliveira Ortega
  • 9º ANO

    A

    B

    • Julianne Furtado Hamaoka
    • Anna Carolina Franco
    • Maitê Caldas Coelho Matos
    • Júlia Pugliese Cavalcante
  • 1ª SÉRIE

    A

    • Maria Clara Torres Marfuz
    • Simão Pedro de O. Urpia

    B

    • Antonio de Souza Rocha
    • Lívia Cordeira Capistrano

    C

    • Anna Júlia Cézar Menezes
    • Luiza da Paz Brandão
  • 2ª SÉRIE

    A

    • Beatriz Teixeira Galvão
    • Lara Paula de Moraes

    B

    • Liz Poletto
    • Juliana Sandes

    C

    • Tessa Mello
    • Letícia Gramacho
  • 3ª SÉRIE

    A

    • Tarcila Menezes
    • Breno Ribeiro

    B

    • Luisa Gomes
    • Leon Kamp

    C

    • Jõao Antonio Dourado
    • Luisa Viana

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